Degeneração macular se torna uma das principais ameaças à visão na terceira idade e preocupa especialistas

A saúde ocular dos idosos está sob alerta. A degeneração macular relacionada à idade, também conhecida como DMRI, vem crescendo silenciosamente entre a população com mais de 60 anos e já é uma das principais causas de perda visual irreversível no mundo. A doença afeta justamente a região central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura e reconhecimento facial, o que compromete drasticamente a qualidade de vida dos pacientes.

Degeneração macular se torna uma das principais ameaças à visão na terceira idade e preocupa especialistas

Conversamos com o Dr. Aron, oftalmologista especializado em retina e mácula que atua na Clínica Vizon, para entender por que a DMRI tem avançado tanto, quais são os sintomas de alerta, como funciona o diagnóstico e quais são os tratamentos mais eficazes disponíveis hoje. Este artigo detalha tudo o que os idosos e seus familiares precisam saber para detectar precocemente e cuidar adequadamente da saúde visual na terceira idade.

O que é degeneração macular relacionada à idade

A degeneração macular é uma condição degenerativa que afeta a mácula, região central da retina localizada no fundo do olho. A mácula é responsável pela visão central, nítida e detalhada, sendo essencial para atividades como leitura, escrita, direção e reconhecimento de rostos.

Na DMRI, ocorre um desgaste progressivo dessa estrutura, levando à perda gradual da capacidade de enxergar com nitidez. A doença não provoca cegueira total, já que a visão periférica costuma ser preservada, mas reduz de forma significativa a autonomia e a independência da pessoa idosa.

Por que a DMRI se tornou uma preocupação crescente entre os idosos

O envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida elevaram os casos de degeneração macular nos últimos anos. Estima-se que entre 25 e 30 por cento dos indivíduos com mais de 75 anos apresentem algum grau da doença. Essa incidência cresce ainda mais entre os maiores de 80 anos.

Além da idade avançada, outros fatores contribuem para o avanço da DMRI, entre eles:

Predisposição genética com histórico familiar da doença

Exposição prolongada à luz solar sem proteção

Fumo ativo ou passivo

Dieta rica em gorduras saturadas e pobre em antioxidantes

Pressão alta, colesterol elevado e diabetes descontrolado

Sedentarismo e obesidade

O aumento da poluição urbana também tem sido associado ao estresse oxidativo ocular, o que acelera o envelhecimento da retina.

Tipos de degeneração macular

A degeneração macular relacionada à idade pode se apresentar em duas formas distintas, com gravidade e evolução diferentes:

Forma seca ou atrófica

Representa cerca de 85 por cento dos casos. É caracterizada pelo afinamento gradual da mácula, com perda lenta da visão central. Não há formação de novos vasos sanguíneos e o processo é mais silencioso, mas progressivo. Ainda não há tratamento que reverta completamente essa forma da doença.

Forma úmida ou exsudativa

Mais agressiva e rápida, corresponde a aproximadamente 15 por cento dos casos. Ocorre quando há crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a mácula, que acabam vazando sangue e fluido. Essa forma causa distorção visual severa e perda de visão central repentina se não tratada a tempo.

A forma úmida é mais grave, porém mais responsiva aos tratamentos disponíveis, especialmente se diagnosticada nos primeiros estágios.

Quais são os sintomas da DMRI

A degeneração macular pode se desenvolver de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis nos estágios iniciais. Por isso, é essencial que pessoas acima dos 60 anos façam exames oftalmológicos regulares. Quando os sinais começam a aparecer, é preciso atenção imediata. Os principais sintomas incluem:

Visão embaçada ou dificuldade de enxergar detalhes finos

Necessidade crescente de luz para ler

Distorção das linhas retas que passam a parecer onduladas ou tortas

Dificuldade para reconhecer rostos

Manchas escuras ou áreas apagadas no centro da visão

Alterações na percepção de cores

Esses sintomas são geralmente percebidos em apenas um dos olhos no início, o que faz com que o outro olho compense temporariamente a perda de visão, atrasando o diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico da degeneração macular

O diagnóstico da DMRI é feito por meio de uma avaliação oftalmológica especializada. Exames de imagem de alta resolução ajudam a detectar alterações na mácula e identificar a forma da doença. Os principais métodos utilizados são:

Exame de fundo de olho com oftalmoscopia indireta

Tomografia de coerência óptica (OCT)

Angiografia com fluoresceína ou verde de indocianina

Teste de Amsler para detecção de distorções visuais

O exame de OCT é considerado o mais importante na prática clínica, pois permite visualizar em detalhes as camadas da retina e acompanhar a progressão da doença ao longo do tempo.

Como é o tratamento da degeneração macular

O tratamento da DMRI depende da forma clínica da doença. Embora a forma seca ainda não tenha cura, existem medidas que ajudam a retardar sua progressão. Já a forma úmida pode ser tratada de forma eficaz com intervenções modernas.

Forma seca

  • Uso de suplementos vitamínicos antioxidantes com zinco, luteína, zeaxantina e ômega 3
  • Controle rigoroso de fatores de risco como pressão alta, colesterol e diabetes
  • Alimentação rica em vegetais verdes, frutas vermelhas e peixes gordurosos
  • Proteção ocular com óculos de sol com filtro UV
  • Abandono definitivo do tabagismo
  • Acompanhamento clínico regular com exames de imagem

Apesar de não haver cura, esses cuidados podem preservar a visão funcional por muitos anos.

Forma úmida

  • Injeções intravítreas de medicamentos antiangiogênicos como ranibizumabe, aflibercepte ou brolucizumabe
  • Aplicação periódica de acordo com o protocolo estabelecido pelo oftalmologista
  • Monitoramento por exames de imagem a cada sessão

Esses medicamentos atuam inibindo o crescimento dos vasos anormais e reduzindo o acúmulo de fluido sob a retina. Quando iniciados precocemente, podem estabilizar e até melhorar a visão central.

O custo do tratamento e o acesso pelo sistema público

O tratamento com injeções intravítreas pode representar um custo elevado no setor privado. Cada aplicação pode variar de R$ 2.000 a R$ 5.000 dependendo do medicamento utilizado. A periodicidade do tratamento varia entre uma e doze aplicações por ano.

Felizmente, o Sistema Único de Saúde oferece cobertura gratuita para injeções intravítreas nos centros de referência em oftalmologia. Planos de saúde também são obrigados a custear o tratamento, desde que haja indicação médica adequada e documentação exigida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Qual o risco de cegueira com a DMRI

A degeneração macular, se não tratada, pode levar à perda visual central irreversível, o que compromete diretamente a autonomia do idoso. Embora a visão periférica seja preservada, o paciente perde a capacidade de realizar tarefas básicas do cotidiano como ler, escrever, cozinhar, andar com segurança ou reconhecer o rosto de familiares.

A forma seca avançada e a forma úmida não tratada são as que apresentam maior risco de cegueira legal, sendo responsáveis por até 10 por cento dos casos de deficiência visual grave em idosos no Brasil. O diagnóstico precoce é o principal fator para evitar esse desfecho.

A importância do acompanhamento preventivo

Para reduzir o impacto da DMRI na população idosa, é fundamental que a prevenção seja priorizada. O cuidado ocular deve fazer parte da rotina médica do envelhecimento saudável. Algumas recomendações importantes incluem:

  1. Consultas oftalmológicas anuais a partir dos 60 anos
  2. Realização de exames de imagem em caso de queixas visuais
  3. Controle rigoroso de doenças sistêmicas associadas
  4. Uso diário de óculos com proteção UV mesmo em dias nublados
  5. Adoção de hábitos alimentares saudáveis com base em alimentos antioxidantes
  6. Estimulação cognitiva e leituras frequentes para manter a atividade visual
  7. Prática de exercícios físicos moderados com orientação médica

Envolver os familiares no cuidado visual do idoso também é essencial para perceber mudanças comportamentais ou visuais que indiquem início da doença.

Conclusão

A degeneração macular relacionada à idade é um desafio crescente para a saúde ocular dos idosos e exige atenção redobrada de profissionais, pacientes e familiares. Trata-se de uma condição crônica, progressiva e muitas vezes silenciosa, que pode ser controlada com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, medidas de prevenção, campanhas de conscientização e ampliação do acesso ao tratamento devem se tornar prioridade nas políticas públicas de saúde. Manter a visão preservada é uma das chaves para garantir autonomia, segurança e qualidade de vida na terceira idade.

Se você tem mais de 60 anos ou conhece alguém que apresenta os sintomas descritos, procure orientação oftalmológica especializada o quanto antes. Cuidar da mácula é cuidar da sua independência.